Desafio - Imaginar uma personagem incapaz de realizar o seu sonho
Acordei. Pensava que estava tudo normal, mas não. Olhei para o meu corpo onde esperava ver o meu pijama às flores, mas mais uma vez não. Estava com um vestido rasgado, esfarrapado…, e o meu cabelo? Também a pensar que estava normal, ou seja, limpo, liso. NÃO. Estava áspero, cheio de nós, e era de lã. Eu era definitivamente uma boneca de trapos, uma suja, enfadonha e mole boneca de trapos. E estava sozinha. O meu maior medo: estar só - apareceu quando me transformei nesta criatura. Mas porque é que estou sozinha? Porquê? Afinal tudo tem o seu par, o rato tem a rata, o boi a vaca, o Teddy a ursinha, o soldado a bailarina. E eu? O que é que os contadores de histórias tem contra as bonecas de trapos? Eles podiam ter inventado um príncipe que me amasse, um grande e maravilhoso castelo. Podiam ter criado umas maravilhosas amigas fadas, uns unicórnios para me servir… ou então, podia ser uma bruxa má que todos temessem, podia ter um castelo vindo das trevas, mil corvos negros como aliados, e um ou dois ogres para as tarefas mais desagradáveis. Pelo menos teria alguma coisa, mas uma boneca de trapos? Feita com restos de pano do quarto de costura, o que é que é pior do que isto? O quê?
E como já repararam esta mais do que na hora de fazer o almoço. Sim, porque caso não saibam, eu, agora, também cozinho, para os senhores brinquedos deste grande quarto.
Depois de cozinhar vou ver a chuva a cair, ou o sol a pôr-se. Vou espreitar pela janela e ver as mães das crianças a dizer que é para ir jantar, vou ver o meu dia a acabar, desculpem lá se vos decepcionei, mas não estava a contar com uma surpresa destas, mas também, sendo uma boneca de trapos nem adianta lutar para os meus sonhos concretizar.
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Desafio Lunar 1 - por Manga Curta
Desafio - Imaginar uma personagem incapaz de realizar o seu sonho
Certa noite, quando cheguei a casa virei-me para o meu pai e disse:
-Estou farto, amanhã vou tornar-me num multimilionário.
Mas no dia seguinte quando acordei tinha-me transformado num drogado e estava na rua debaixo de uns caixotes. Eu não percebi aquilo mas como estava tão decidido em ser rico, levantei-me, e sem comer nada fui logo à procura de emprego. Depois de algumas horas já era hora de almoço mas como eu não tinha casa nem dinheiro não almocei, e continuei com a minha ideia de trabalhar.
Duas horas mais tarde sem conseguir o tal emprego sentei-me num banco, estava a desesperar, posso dizer que estava completamente deprimido. Estava tão cansado que comecei a falar sozinho quando de repente um idoso que por lá passava ouviu-me e disse:
-Eu estou quase a morrer, sou milionário e não tenho família, por isso se cumprires três desafios eu ofereço-te toda a minha riqueza.
Eu respondi: -Feito! Quais são os desafios?
-Primeiro tens de conquistar uma rapariga bonita e jeitosa em meia hora. – Disse o velho.
Passado vinte e nove minutos e cinquenta e nove segundos lá estava eu com uma beldade arrasadora.
O velho homem exclamou: -Muito bem! Agora tens meia hora para trazeres para aqui um racista e fazer-lhe cócegas nos pés até quase não conseguir respirar, de modo a fazê-lo prometer que não vai discriminar mais ninguém.
Desta vez agi ainda mais rápido, conseguindo cumprir o desafio nuns míseros vinte e nove minutos e cinquenta e oito segundos.
Finalmente o homem disse:
-Conseguiste. Agora o terceiro desafio, que por acaso é o mais temível e arriscado.
De repente eu desmaiei, o que se tornou num final inesperado para os espectadores.
Na sala de cinema a tela ficou preta, e com a música do final do filme surgiram as seguintes inscrições:
Realizador - Tim Burton
Drogado – Johnny Depp
Idoso – Brad Pitt
Mulher bonita e jeitosa (ainda mais do que possam pensar) – Angelina Jolie
Racista – Pinto Da Costa
Certa noite, quando cheguei a casa virei-me para o meu pai e disse:
-Estou farto, amanhã vou tornar-me num multimilionário.
Mas no dia seguinte quando acordei tinha-me transformado num drogado e estava na rua debaixo de uns caixotes. Eu não percebi aquilo mas como estava tão decidido em ser rico, levantei-me, e sem comer nada fui logo à procura de emprego. Depois de algumas horas já era hora de almoço mas como eu não tinha casa nem dinheiro não almocei, e continuei com a minha ideia de trabalhar.
Duas horas mais tarde sem conseguir o tal emprego sentei-me num banco, estava a desesperar, posso dizer que estava completamente deprimido. Estava tão cansado que comecei a falar sozinho quando de repente um idoso que por lá passava ouviu-me e disse:
-Eu estou quase a morrer, sou milionário e não tenho família, por isso se cumprires três desafios eu ofereço-te toda a minha riqueza.
Eu respondi: -Feito! Quais são os desafios?
-Primeiro tens de conquistar uma rapariga bonita e jeitosa em meia hora. – Disse o velho.
Passado vinte e nove minutos e cinquenta e nove segundos lá estava eu com uma beldade arrasadora.
O velho homem exclamou: -Muito bem! Agora tens meia hora para trazeres para aqui um racista e fazer-lhe cócegas nos pés até quase não conseguir respirar, de modo a fazê-lo prometer que não vai discriminar mais ninguém.
Desta vez agi ainda mais rápido, conseguindo cumprir o desafio nuns míseros vinte e nove minutos e cinquenta e oito segundos.
Finalmente o homem disse:
-Conseguiste. Agora o terceiro desafio, que por acaso é o mais temível e arriscado.
De repente eu desmaiei, o que se tornou num final inesperado para os espectadores.
Na sala de cinema a tela ficou preta, e com a música do final do filme surgiram as seguintes inscrições:
Realizador - Tim Burton
Drogado – Johnny Depp
Idoso – Brad Pitt
Mulher bonita e jeitosa (ainda mais do que possam pensar) – Angelina Jolie
Racista – Pinto Da Costa
terça-feira, 11 de maio de 2010
Desafio lunar 1 - por Beatriz Dias
Desafio - Imaginar uma personagem incapaz de realizar o seu sonho
Estava cansada. Estive o dia todo em sessões fotográficas, mas a noite seguinte seria a Grande Noite: a noite dos ''ÓSCARES''. Já sabia o que usar, um vestido preto elegante flutuava como água, aí sim, seria o pico da minha carreira! Cheguei a casa e apenas comi fruta, fiz os meus tratamentos de pele e fui dormir.
Dormi mal, tive muito calor e frio ao mesmo tempo, ouvi o mar e senti uma brisa, a minha cama tornou-se dura e a minha almofada fofa tinha desaparecido, o meu pijama transformou-se numa camisola de linho áspero. Cheirava a maresia e a minha boca estava salgada. Abri os olhos e vi um céu azul, estava deitada no chão de um barco, levantei-me meia tonta e só via mar á minha volta. O cheiro a maresia era agora mais intenso, estava descalça e as minhas unhas dos pés já não estavam pintadas, o meu cabelo estava frisado e mal tratado.
Comecei a explorar o barco e havia redes, cordas, barris de rum e peixe em caixotes. As imagens, cheiros e sabores que vivi naquele momento despertaram-me sensações nunca antes sentidas! Percorri todo o barco à procura de um telefone ou de qualquer outra fonte de comunicação mas nada encontrei. Fui ao convés onde estavam quinze marinheiros, todos com barba enorme mas, curiosamente, nenhum deles a tinha da mesma cor. O capitão do barco tinha uma cicatriz que lhe rasgava o olho e o lábio, e os restantes homens estavam á volta de uma mesa de madeira redonda, velha, todos a beber rum, a fumar cada um o seu charuto, e a jogar às cartas.
Gritei-lhes a pedir ajuda, mas, o seu único gesto foi atirarem-me uma esfregona para a mão e apontarem para o chão. Lá fui eu, pousei os meus joelhos frágeis no chão e esfreguei com água, sabão e algumas das minhas lágrimas. Belisquei-me cinco vezes para acordar mas nada. Era ali que iria passar o resto da minha vida...
Ao anoitecer olhei para as estrelas, deixei cair uma última lágrima para o mar escuro e salgado, e deitei-me novamente no chão duro com uma pinga de esperança de que tudo pudesse voltar ao normal, e que talvez um dia, eu pudesse usar o meu elegante vestido preto.
Estava cansada. Estive o dia todo em sessões fotográficas, mas a noite seguinte seria a Grande Noite: a noite dos ''ÓSCARES''. Já sabia o que usar, um vestido preto elegante flutuava como água, aí sim, seria o pico da minha carreira! Cheguei a casa e apenas comi fruta, fiz os meus tratamentos de pele e fui dormir.
Dormi mal, tive muito calor e frio ao mesmo tempo, ouvi o mar e senti uma brisa, a minha cama tornou-se dura e a minha almofada fofa tinha desaparecido, o meu pijama transformou-se numa camisola de linho áspero. Cheirava a maresia e a minha boca estava salgada. Abri os olhos e vi um céu azul, estava deitada no chão de um barco, levantei-me meia tonta e só via mar á minha volta. O cheiro a maresia era agora mais intenso, estava descalça e as minhas unhas dos pés já não estavam pintadas, o meu cabelo estava frisado e mal tratado.
Comecei a explorar o barco e havia redes, cordas, barris de rum e peixe em caixotes. As imagens, cheiros e sabores que vivi naquele momento despertaram-me sensações nunca antes sentidas! Percorri todo o barco à procura de um telefone ou de qualquer outra fonte de comunicação mas nada encontrei. Fui ao convés onde estavam quinze marinheiros, todos com barba enorme mas, curiosamente, nenhum deles a tinha da mesma cor. O capitão do barco tinha uma cicatriz que lhe rasgava o olho e o lábio, e os restantes homens estavam á volta de uma mesa de madeira redonda, velha, todos a beber rum, a fumar cada um o seu charuto, e a jogar às cartas.
Gritei-lhes a pedir ajuda, mas, o seu único gesto foi atirarem-me uma esfregona para a mão e apontarem para o chão. Lá fui eu, pousei os meus joelhos frágeis no chão e esfreguei com água, sabão e algumas das minhas lágrimas. Belisquei-me cinco vezes para acordar mas nada. Era ali que iria passar o resto da minha vida...
Ao anoitecer olhei para as estrelas, deixei cair uma última lágrima para o mar escuro e salgado, e deitei-me novamente no chão duro com uma pinga de esperança de que tudo pudesse voltar ao normal, e que talvez um dia, eu pudesse usar o meu elegante vestido preto.
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